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13 October 2006 

3. Crónicas

Lembras-te de Paris?

Arrisquei de chofre um convite inocente aparentemente inapropriado que aceitaste rapidamente para minha estupidez indignada.
Senti-me desavergonhadamente feliz.
Sonhei longos passeios na margem do Sena ao entardecer sob um céu apimentado por nuvens cor de laranja intercalados por azul celeste como um patchwork turco, a pontapear as folhas secas no chão a anunciar a entrada do Outono na sombra da fachada da antiga gare de Orsay, junto às lojas improvisadas de alfarrabistas de quem sempre desconfiei a originalidade, a folhear Paris-Match dos anos cinquenta com Fórmulas 1 em forma de charuto, a ameaçar atravessar a capa a toda a velocidade, apoiado pelo teu sorriso e o som do murmúrio da tua voz a cantarolar uma melodia sinónimo de uma felicidade que não escondes desde que abandonamos o aeroporto, enquanto apoias despreocupadamente uma imitação dos antigos anúncio em latão de queijos triangulares, que me recordavam as visitas domingueiras à província, ou de papas para latentes que não me lembro de me empanturrarem a horas certas.
(Haveria de partilhar isso contigo, porque sei que despertaria o teu interesse mais tarde enquanto degustavamos um capuccino ou um chá quente de menta num café de esquina da Rua de Rennes)
Imaginei longas conversas convergentes no bistro que acompanhava o nosso hotel afogados nos palmiéres estaladiços e croissants frescos recheados de chocolate derretido, sob notas de acordeão saídas da estação de metro enroladas no ferro art deco, enquanto partilhávamos uma troça benevolente dos casais com ar de intelectuais que se sentavam nas outras mesas camuflados pelos arbustos tropicais que negligentemente cresciam no jardim. Imitávamos a sua conversa com um acento francês falsamente snob sobrepondo aos seus gestos discussões poeirentas sob as cores primárias preferidas dos impressionistas, ou do traço genial que rompeu no cubismo.
Alimentei-me de visitas deliciosamente intermináveis aos museus, intercaladas por lanches agasalhados nas chaise longues que ainda se mantinham teimosamente nas Tulherias a observar, entre dentadas alternadas de sushi ou sashimi, o grupo de idosos que, com movimentos delicados de tai-chi, cortavam a brisa gélida numa ginástica lenta e rejuvenescedora, ou deitados na relva da Place des Vosgues a apreciar uma lição de pintura de uma academia para adolescentes, e depois sentados nas cadeiras verdes e inclinadas do jardim do Luxemburgo a avistar batalhas marítimas no grande lago circular entre fragatas e mini veleiros engalanados empurrados por crianças com sorrisos desafiadores.
Não me esqueceria de sorrateiramente coleccionar bilhetes, recibos ou postais onde secretamente desenhava a data para muito mais tarde te surpreender e te perguntar a mil léguas de distância:
Lembras-te de Paris?

"Quem não se lembra de Paris"??...cidade que ilumina corpo e alma !!!!!!!Parabens !P.S. AH!STATUS mudou-se para Paradise ?

Oui maria, j´habite au Paradis!

A vida é tão engraçada...
CG

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